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sábado, 25 de julho de 2009

Política externa de Lula consolidará posição de liderança do país (Eliane Cantanhêde)

da Folha Online

Os bastidores da política externa estão tão movimentados quanto da política interna no Brasil. Reflexo disso é a agenda de compromissos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma semana, ele recebeu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, e marcou a vinda ao país do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para o próximo mês.

A colunista da Folha Eliane Cantanhêde lembra ainda, no vídeo abaixo, que um acordo com o Paraguai sobre a hidrelétrica binacional de Itaipu também é prioridade do governo. Para a jornalista, um pacote de bondades que será oferecido por Lula não só colocará fim nessa disputa, que há 11 meses afeta a relação entre os países, como também ajudará a consolidar a posição de liderança do Brasil na América do Sul.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Lula deve visitar Israel no primeiro semestre de 2010

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve visitar Israel no primeiro semestre de 2010. A intenção de Lula foi confirmada nesta quinta-feira pela Conib (Confederação Israelita no Brasil). Segundo a entidade, o presidente afirmou que não deseja terminar seu mandato sem uma visita a Israel.

Antes da visita de Lula, o presidente de Israel, Shimon Peres, deverá vir ao Brasil em novembro. A intensificação das relações entre os dois países começou nesta semana, com a vinda do ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, a primeira visita ao Brasil de um chanceler israelense em 22 anos.

Lula se reuniu hoje com o presidente da Conib, Claudio Lottenberg, no escritório da Presidência da República, em São Paulo.

No encontro entre Lula e a direção da Conib, ficou decidido que o governo federal e a entidade vão preparar um projeto de cooperação internacional, com o objetivo de levar a países pobres, por exemplo, programas de capacitação, em especial na área de saúde.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Lula fala e age como um "Deputado Mundial": Em discurso inédito, pede que Brasil e África "escrevam juntos sua história"



O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, que sedia cúpula da União Africana na qual o presidente Lula (à dir.) discursa como convidado

da Efe, em Sirte (Líbia)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, em um discurso na cúpula da União Africana (UA), na cidade líbia de Sirte, que o futuro do Brasil está ligado ao da África e que o continente é uma das prioridades da política externa. "Há um provérbio que diz que, se não quer que os outros escrevam por você, escreva você mesmo a sua história. Brasil e África devem escrever juntos sua história e seu porvir comum."

Desde que chegou à Presidência, em janeiro de 2003, Lula fez viagens para 20 países da África e aumentou a presença diplomática brasileira naquele continente, com um total de 34 embaixadas. Seu discurso foi o primeiro de um presidente brasileiro como orador convidado em uma cúpula africana.
Sabri Elmehdwi/Efe
O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, que sedia cúpula da União Africana na qual o presidente Lula (à dir.) discursa como convidado
O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, que sedia cúpula da União Africana na qual o presidente Lula (à dir.) discursa como convidado

No discurso, Lula também disse que, há alguns anos, os países ricos tomavam a África e a América Latina como uma das causas de seus problemas e que, agora, são considerados parte da solução para a crise econômica. O brasileiro também defendeu que os dois lados iniciem novas normas de cooperação "sem intervenção estrangeira".

"O Brasil não veio à África para se desculpar do passado colonial. Queremos ser verdadeiros parceiros no desenvolvimento e na cooperação." O presidente lembrou que há 10 milhões de habitantes de origem árabe e africana que "enriquecem a cultura de nosso país, no qual vivemos juntos em perfeita comunhão".

O presidente ainda indicou que o Brasil está "ao lado" da África para apoiar seus esforços em prol da paz e da segurança, uma tarefa que, segundo ele, "não é fácil", pelos conflitos que há no continente, incluindo "os nascidos do período colonial".

O presidente anunciou que o Brasil quer sediar um escritório da UA em breve e está organizando uma reunião dos ministros de Agricultura africanos em território brasileiro para que os países do continente se beneficiem da experiência brasileira no setor agrícola, o tema oficial da cúpula da UA em Sirte.

Lula pediu aos chefes de Estado africanos que a declaração final da cúpula condene o golpe militar contra o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e solicitou também o apoio da África à candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016

Lula canta de galo - Eliane Cantanhêde

Assim como se descolou do mensalão e de otras cositas más, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se descola agora da crise econômica que derruba as expectativas de crescimento e os níveis de emprego, no Brasil e em todo o mundo, em 2009.

Como já disse o senador, ex-ministro e ex-governador Cristóvam Buarque, com fina e realista ironia, "tudo o que é bom foi o Lula quem fez, e tudo o que é ruim, a culpa é dos outros".

O que é bom: a estabilidade da moeda; o Proer, que fortaleceu o sistema financeiro interno; as privatizações, que deram impulso inédito a setores como a telefonia; e a inserção internacional, produtos da era de Fernando Henrique Cardoso que agora entram na contabilidade favorável de Lula --que, aliás, se referia a coisas assim como "herança maldita", lembra?

O que é ruim: a crise em si, a queda na previsão do crescimento e o aumento do desemprego, os solavancos nas Bolsas, tudo isso é culpa dos outros: os Estados Unidos, o George W. Bush, o mundo desenvolvido. Só que, neste caso, Lula tem razão. Ou seja: tem discurso. E as pesquisas já mostram que a população, já disposta a acreditar, porque acredita em tudo o que Lula diz, agora tem boas razões para isso.

De um lado, a economia brasileira estabilizada pela faxina tucana e depois fortalecida pelos fantásticos ventos favoráveis que sopraram no mundo inteiro, e na América Latina em particular, em 2007 e 2008. De outro, o fato de que a crise começou no coração da maior potência e se alastrou para todo o mundo rico, principalmente para a Europa.

Resultado: Lula junta as duas pontas e sai sorridente por aí ensinando aos EUA e à Europa o quê, como e quando fazer. Até o Proer, para sanear os bancos!

A não ser que haja uma hecatombe não prevista, portanto, crise não vai contra Lula, mas a favor. Como escrevi na Folha no último domingo, ele espera que "a conjunção crise, posse de Obama e nova arquitetura financeira internacional catapulte o Brasil como protagonista internacional". E ele, como um líder emergente.

Já mandou carta para o presidente da França, Nicolas Sarkosy; foi o terceiro líder estrangeiro a se encontrar com Obama na Casa Branca e vai receber o primeiro-ministro britânico Gordon Brown na quinta da próxima semana.

Depois, tem reunião da "liderança progressista" no Chile, Cúpula das Américas em Trinidad Tobago e G20 em Londres. Na crise, os líderes das grandes potências baixam a crista. E Lula canta de galo.

*

Atualização da última Pensata "Uma atrás da outra" : depois do castelo, do casarão e do pagamento de horas "extras" sem horas "ordinárias", continuam saindo podres do Congresso.

Vamos ao Senado: "nepotismo terceirizado", o filho do diretor que morava em apartamento funcional, o Sarney mandando seguranças pagos com dinheiro público para o Maranhão (e ele é eleito pelo Amapá!) e a Roseana presenteando os amigos com passagens aéreas da cota de senador para o fim de semana na residência oficial da presidência.

Como a gente ia dizendo, o nível de desgaste do Congresso está ficando insuportável.


Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.

E-mail: elianec@uol.com.br